A confirmação de uma morte por hantavírus em Minas Gerais no último domingo (10) aumentou a procura por informações sobre a doença nos últimos dias. O assunto ganhou repercussão após autoridades internacionais de saúde iniciarem o monitoramento de casos registrados entre passageiros de um navio de cruzeiro que passou pela América do Sul no começo de maio.
O surto investigado envolve o navio e é acompanhado pela Organização Mundial da Saúde. Até o momento, foram registrados casos confirmados e mortes relacionadas à embarcação, o que levou órgãos de saúde a ampliarem a vigilância epidemiológica sobre o vírus.
No Brasil, o Ministério da Saúde afirmou que o cenário segue sob controle e que o risco de disseminação é considerado baixo. A pasta informou ainda que não há relação entre os casos brasileiros e a situação monitorada internacionalmente.
Em 2026, o país contabiliza sete casos confirmados de hantavírus. Além disso, autoridades de saúde investigam suspeitas em diferentes estados. No Paraná, 11 notificações seguem em análise.
Mesmo diante da repercussão do tema e das comparações feitas nas redes sociais com o início da pandemia de Covid-19, especialistas destacam que o hantavírus apresenta características muito diferentes de vírus respiratórios de alta transmissão.
Mas afinal, o que é o hantavírus?
A hantavirose é uma doença viral transmitida de animais para humanos. No Brasil, a forma mais comum é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, que pode comprometer os pulmões e o funcionamento do coração.
O vírus pertence à família Hantaviridae e tem como reservatórios naturais roedores silvestres. Esses animais podem eliminar o vírus por meio da urina, fezes e saliva, mesmo sem apresentar sintomas.
Quais são os sintomas?
Na fase inicial, os sintomas mais comuns são febre, dor de cabeça, dores musculares, dores nas articulações, dor na região lombar, dor abdominal e manifestações gastrointestinais.
Nos quadros mais graves, quando há comprometimento cardiopulmonar, podem surgir dificuldade para respirar, respiração acelerada, tosse seca, aumento dos batimentos cardíacos e queda da pressão arterial.
Como acontece a transmissão?
A principal forma de infecção ocorre pela inalação de partículas presentes no ar contaminadas por secreções de roedores infectados.
Também pode haver transmissão quando o vírus entra em contato com olhos, nariz ou boca por meio das mãos contaminadas. Outra possibilidade é a entrada do vírus por ferimentos na pele ou por mordidas de roedores.
A transmissão entre pessoas é considerada rara. Até hoje, esse tipo de contágio foi registrado de forma esporádica na Argentina e no Chile, associado ao hantavírus Andes.
O período de incubação varia, em média, de uma a cinco semanas, podendo chegar a 60 dias.
O hantavírus pode virar uma pandemia?
Segundo avaliações de autoridades de saúde nacionais e internacionais, o hantavírus não apresenta, neste momento, características de disseminação compatíveis com uma pandemia.
A explicação é que a transmissão ocorre principalmente pelo contato com secreções de roedores infectados e não de forma ampla entre pessoas.
A exceção é o hantavírus Andes, identificado no surto investigado no navio de cruzeiro. Essa variante é a única conhecida com possibilidade de transmissão entre humanos, mas esse contágio costuma ocorrer apenas em situações específicas de contato próximo e prolongado.
Autoridades de saúde também destacam que, embora a doença possa causar quadros graves, ela não tem o mesmo potencial de propagação rápida observado em infecções respiratórias como Covid-19 e SARS.
Tratamento e prevenção
Não existe tratamento específico contra o hantavírus. O atendimento é baseado em medidas de suporte, de acordo com a evolução clínica de cada paciente.
A doença tem notificação compulsória imediata e deve ser comunicada às autoridades de saúde em até 24 horas.
A prevenção depende principalmente de evitar o contato com roedores silvestres e com locais contaminados. Entre as orientações estão manter terrenos limpos, guardar alimentos em recipientes fechados, descartar corretamente o lixo e eliminar pontos que possam servir de abrigo para esses animais.





