O governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. A medida foi anunciada após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que aponta supostas práticas comerciais consideradas “desleais” por parte do Brasil.
Além da recomendação para a cobrança da nova tarifa, o USTR encaminhou à Casa Branca uma lista atualizada de produtos que poderão ficar isentos da medida. A decisão agora segue os trâmites do governo norte-americano para implementação.
Segundo o relatório do órgão, a investigação foi baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, instrumento utilizado para apurar práticas comerciais que, na avaliação do país, prejudicam empresas e exportadores americanos.
Entre os pontos questionados estão regras relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, acordos tarifários, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, importação de etanol e ações de enfrentamento ao desmatamento ilegal.
O documento também faz referência ao sistema de pagamentos Pix. De acordo com o USTR, a ferramenta poderia favorecer a competitividade do sistema financeiro brasileiro em relação a empresas privadas estrangeiras que oferecem serviços de pagamento digital.
De acordo com estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a medida pode atingir cerca de 4 mil produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, com impacto potencial de aproximadamente US$ 14,9 bilhões nas vendas para o mercado norte-americano.
O governo brasileiro acompanha os desdobramentos da decisão e avalia os efeitos da nova tarifa sobre os setores exportadores. Integrantes da administração federal afirmam que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos não possuem fundamento técnico suficiente e consideram que há motivações políticas no processo.
Além dessa medida, outra investigação conduzida pelos Estados Unidos segue em andamento. Caso também resulte na aplicação de novas tarifas, alguns produtos brasileiros poderão enfrentar uma tributação total de até 37,5% para entrar no mercado americano.






