A depressão na infância e na adolescência exige atenção não apenas aos comportamentos dos jovens, mas também ao ambiente familiar e social em que eles estão inseridos. Durante o Setembro Amarelo, a psicóloga Analyce Suassuna falou sobre os fatores que podem estar relacionados ao sofrimento emocional e destacou a importância de identificar os sinais ainda nos primeiros momentos.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram um cenário de atenção à saúde mental dos adolescentes. O levantamento investiga, entre outros aspectos, sentimentos de tristeza, preocupação, irritação, desamparo e a percepção de que a vida não vale a pena ser vivida entre estudantes de 13 a 17 anos.
Entre os indicadores apresentados pela pesquisa, 42,9% dos estudantes afirmaram sentir-se irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa. O levantamento também aponta que 18,5% relataram ter sentido que a vida não vale a pena ser vivida.
Para Analyce Suassuna, é necessário analisar a saúde emocional de crianças e adolescentes de forma ampla. Questões psicológicas, familiares e sociais podem estar relacionadas ao sofrimento e precisam ser observadas em conjunto.
A psicóloga explica que a família também deve fazer parte desse acompanhamento. Crianças e adolescentes inseridos em ambientes onde existem sintomas depressivos podem ser afetados por esse contexto. Por isso, além de observar o jovem, é importante prestar atenção às relações e à rotina familiar.
Outro ponto discutido durante a entrevista foi o uso das redes sociais. Para a psicóloga, a internet pode ser um dos fatores envolvidos nesse cenário, principalmente quando crianças e adolescentes passam longos períodos diante das telas.
Mais do que observar apenas o conteúdo consumido, Analyce destaca a importância de entender por que o jovem permanece tanto tempo conectado. Ela também chama atenção para mudanças no comportamento, na convivência escolar, nas brincadeiras e na forma como a criança ou adolescente se relaciona com outras pessoas.
Nesse processo, a escola também tem papel importante na identificação de possíveis mudanças. A observação feita por professores, familiares e cuidadores pode ajudar a perceber sinais que indiquem a necessidade de atenção especializada.
A psicóloga ressalta ainda a importância do vínculo durante o acompanhamento terapêutico. Segundo ela, o trabalho com crianças e adolescentes depende da construção de uma relação de confiança, que permita ao jovem se sentir seguro para expressar o que está vivendo.
O cuidado precoce pode contribuir para melhorar a relação da criança ou do adolescente consigo mesmo e com as outras pessoas. Para Analyce, mesmo diante de momentos de tristeza, sofrimento ou desesperança, é importante reforçar o cuidado com a própria vida.
Durante o Setembro Amarelo, a orientação é para que familiares e responsáveis estejam atentos às mudanças de comportamento e procurem ajuda quando perceberem sinais persistentes de sofrimento emocional. O cuidado e a preservação da vida, segundo a psicóloga, devem começar desde cedo.






