Os gastos dos brasileiros com apostas online têm provocado um impacto bilionário no orçamento das famílias e no comércio. Levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que, entre janeiro de 2023 e março de 2026, cerca de R$ 143 bilhões deixaram de circular no varejo por causa desse tipo de despesa.
Segundo a entidade, o valor representa um volume expressivo de consumo e é equivalente às vendas registradas em períodos de grande movimento no comércio, como datas de fim de ano. A CNC avalia que o crescimento das apostas tem reduzido a renda disponível das famílias, dificultando o pagamento de contas e contribuindo para o aumento da inadimplência.
O estudo também indica que os brasileiros passaram a destinar mais de R$ 30 bilhões por mês para plataformas de apostas nesse período. Como consequência, cerca de 270 mil famílias podem ter entrado em situação de inadimplência considerada grave, com atrasos superiores a 90 dias.
A análise aponta que alguns grupos são mais afetados, como pessoas de renda inferior a um salário-mínimo, homens e indivíduos acima dos 35 anos. Ainda assim, famílias com renda mais alta também aparecem entre as impactadas, já que parte do orçamento é redirecionada para apostas, o que pode comprometer outros compromissos financeiros.
Diante desse cenário, representantes do setor de comércio defendem a adoção de medidas para ampliar a regulação das plataformas e proteger os consumidores. A CNC destaca que o endividamento das famílias brasileiras já atinge mais de 80% dos lares no país.
Por outro lado, entidades que representam empresas de apostas questionam os dados. O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) solicitou acesso às informações utilizadas no levantamento e cobrou mais transparência na metodologia. Já a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) afirmou que os números apresentados não refletem os dados oficiais e que o endividamento da população envolve diversos fatores.





