Uma pesquisa que começou há cerca de dez anos pode ajudar a transformar a forma como alguns materiais são produzidos pela indústria da moda. A paraibana Thamires Pontes desenvolve fios e fibras têxteis feitos a partir de algas marinhas, com a proposta de criar alternativas de menor impacto ambiental.
A novidade foi apresentada no quadro Vestuário, presente no Diversidade, que conversou com a pesquisadora sobre o desenvolvimento da tecnologia e os próximos passos do projeto.
A pesquisa teve início em 2016, durante o mestrado de Thamires. O trabalho foi concluído em 2018 e, anos depois, em 2022, deu origem à Phycolabs, startup de biomateriais criada pela pesquisadora para desenvolver fibras e fios a partir de algas marinhas.
Desde então, o projeto avançou para a criação de protótipos e conquistou premiações internacionais. A equipe também já depositou uma patente e trabalha atualmente no desenvolvimento de uma segunda.
Segundo Thamires, a proposta surgiu da busca por novas alternativas para os problemas ambientais presentes em diferentes etapas da cadeia da indústria têxtil. A tecnologia utiliza algas marinhas cultivadas na costa brasileira como matéria-prima.
Além da escolha do material, o projeto busca desenvolver processos com menor consumo de água e energia. Outro objetivo é permitir que os novos fios sejam produzidos utilizando equipamentos que já fazem parte da estrutura da indústria têxtil.
A pesquisa agora entra em uma nova etapa. A startup trabalha na produção do primeiro lote piloto em ambiente industrial. Os protótipos já existentes passam por testes, incluindo processos de tingimento e funcionalização, para verificar como o material pode se adaptar aos padrões utilizados pelo setor.
A expectativa é avançar também para os testes comerciais. Para isso, a Phycolabs pretende trabalhar com empresas que já acompanham o desenvolvimento da tecnologia e que poderão avaliar a aplicação dos fios em produtos.
A proposta une ciência, moda e preocupação ambiental. Ao utilizar algas cultivadas como matéria-prima, o projeto busca criar uma alternativa para a produção de fibras e, ao mesmo tempo, estimular novas formas de relação entre a indústria e os recursos naturais.
A trajetória da pesquisadora mostra como uma investigação iniciada na universidade pode chegar ao desenvolvimento de uma tecnologia voltada ao mercado. Agora, o desafio é levar o material dos protótipos para uma produção em maior escala, mantendo as características de sustentabilidade que estão no centro da pesquisa.
A reportagem integra o Diversidade, programa da Rede Ita que aborda temas relacionados à cultura, comportamento e sociedade. A atração é exibida de segunda a sexta-feira, em duas edições, às 13h15 e às 18h, pelo canal 18.1.





