A Paraíba chegou a 24 casos de feminicídio registrados entre janeiro e setembro de 2025. O número representa uma média de dois crimes por mês, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Em janeiro, foram três casos; em fevereiro, seis; em março, três; em abril, dois; em maio e junho, três casos em cada mês. Em julho, não houve registros, enquanto agosto teve um caso e setembro voltou a registrar três ocorrências.
Os feminicídios aconteceram em diferentes cidades paraibanas, entre elas Cajazeiras, Coremas, Araçagi, Cacimba de Dentro, Campina Grande, Conde, Cuité, Itaporanga, João Pessoa, Mulungu, Patos, Pilões, Pombal, Santa Rita, Solânea, Nova Floresta, Marizópolis e Juru.
Para a pesquisadora de gênero Glória Rabay, os números refletem um problema que vai além das leis. Ela explica que a cultura machista e a disseminação de discursos de ódio contra as mulheres ainda são fatores que contribuem para a violência. “A legislação é importante, mas não é suficiente. O feminicídio tem raízes em uma cultura que naturaliza o controle e a subserviência feminina”, afirmou.
O feminicídio é o assassinato de mulheres motivado por razões de gênero, geralmente relacionado à violência doméstica, discriminação ou menosprezo à condição de mulher. A pena pode chegar a 40 anos de prisão, uma das mais severas do Código Penal.
A pesquisadora lembra que a criação da Lei do Feminicídio foi um passo importante para dar visibilidade ao problema. “Dar nome ao crime é reconhecer que ele existe. Quando dizemos que uma mulher foi morta por ser mulher, chamamos atenção para uma realidade que sempre existiu, mas que era invisível”, destacou.
Glória Rabay defende que o combate ao feminicídio deve envolver toda a sociedade. “A educação é fundamental, mas precisa acontecer em todos os espaços: nas escolas, na mídia, nas igrejas, nas famílias e também nas empresas. Não podemos permitir práticas que reforcem o machismo, pois ele alimenta essa violência”, concluiu






