Operação Arena: entenda a investigação contra a Pixbet e os principais desdobramentos 

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (13) a Operação Arena para investigar um grupo empresarial suspeito de movimentar recursos ligados a apostas esportivas por meio das empresas Pixbet e PixStar, com indícios de evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

A ação foi realizada em conjunto com o Ministério Público, o Ministério da Fazenda e a Receita Federal, com o cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão em cinco estados, além de quebras de sigilo e bloqueio de bens que podem chegar a R$ 1,1 bilhão.

Na Paraíba, a sede da Pixbet, em Campina Grande, foi um dos alvos da operação, assim como um imóvel ligado a um suspeito de atuar como “laranja” no esquema investigado.

Durante o cumprimento dos mandados, o empresário Ernildo Júnior, apontado como dono da Pixbet, foi abordado por agentes da Polícia Federal em Campina Grande. O carro em que ele estava e um celular foram apreendidos para auxiliar nas investigações. 

A apuração também chegou à PixStar, empresa sediada em Curaçao, no Caribe. Segundo os investigadores, foram identificadas movimentações financeiras entre a empresa estrangeira e integrantes ligados ao grupo investigado. 

Outro elemento encontrado durante as buscas foi um quadro atribuído ao artista brasileiro Di Cavalcanti, localizado em um apartamento de Ernildo Júnior. A autenticidade da obra ainda precisa ser confirmada. Caso seja comprovada, o quadro pode ter valor estimado em cerca de R$ 500 mil. 

A Polícia Federal também investiga o uso de dados de pessoas já falecidas em operações de câmbio relacionadas ao grupo. Conforme os documentos da investigação, foram identificados 549 CPFs de pessoas mortas associados a registros utilizados nessas operações. Alguns dos titulares teriam morrido há mais de 20 anos. 

A suspeita é de que os dados tenham sido utilizados para atribuir falsas identidades a operações de câmbio consideradas irregulares, com possível objetivo de promover evasão de divisas. A investigação aponta ainda que sistemas de controle financeiro teriam identificado parte das inconsistências. 

Outro braço da investigação envolve o advogado Nelson Wilians. Os investigadores analisam transações financeiras e negócios envolvendo o escritório do advogado e empresas ligadas à Pixbet e à PixStar. 

Entre os negócios analisados está um helicóptero Airbus EC 130 T2, chamado de “betcóptero”. Documentos encontrados durante as buscas indicariam uma negociação da aeronave envolvendo o escritório de Nelson Wilians e empresas relacionadas a Ernildo Júnior. Também foram identificados pagamentos da PixStar ao escritório que somam R$ 9,8 milhões. 

A defesa de Nelson Wilians afirmou que a relação entre o escritório e a Pixbet é exclusivamente profissional e decorre da prestação de serviços jurídicos. 

Após a deflagração da operação, o Ministério da Fazenda determinou a suspensão imediata da atuação da Pixbet. A medida também estabeleceu o cancelamento das apostas em andamento e a devolução dos valores aos usuários. 

A decisão aponta que a empresa não teria apresentado informações exigidas pela Secretaria de Prêmios e Apostas para o monitoramento e a fiscalização das atividades. A suspensão poderá ser revista após o cumprimento das determinações do órgão. 

Em caso de descumprimento da medida, foi estabelecida multa diária de R$ 200 mil. 

A defesa da Pixbet informou que não havia tido acesso à decisão que autorizou a operação e que se manifestaria após analisar o documento. 

As investigações continuam para esclarecer a origem e a movimentação dos recursos e definir a participação de cada investigado. Entre os crimes apurados estão evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros delitos contra o sistema financeiro nacional. 

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