A Polícia Federal desmantelou um sofisticado esquema de fraudes em concursos públicos em operação, comandado por integrantes da família Limeira, natural de Patos, no sertão da Paraíba. A investigação teve início após uma denúncia anônima que apontava a atuação de uma quadrilha especializada na venda de aprovações por valores que chegavam a R$ 500 mil. Três membros do grupo foram aprovados no Concurso Nacional Unificado (CNU), inclusive em cargos de alta concorrência.
A PF aponta Wanderlan Limeira de Souza como o principal articulador. O ex-policial militar, expulso da corporação, comandava a logística das provas, distribuía gabaritos e até se inscrevia em concursos para demonstrar a eficácia do método desenvolvido. Ele chegou a ser aprovado para o cargo de auditor fiscal do trabalho, o mais disputado do CNU.
A estrutura do grupo funcionava como uma verdadeira empresa criminosa, com divisão clara de funções entre os membros da família:
- Wanderlan Limeira de Souza: líder e negociador das fraudes;
- Valmir Limeira de Souza: irmão de Wanderlan, também aprovado no CNU;
- Antônio Limeira das Neves: irmão de Wanderlan e Valmir, responsável por orientar a filha e intermediar pagamentos;
- Geórgia de Oliveira Neves: esposa de Antônio, suspeita de ocultar grandes quantias em espécie;
- Larissa de Oliveira Neves: filha de Antônio e Geórgia, utilizada como “vitrine” para atrair novos clientes;
- Wanderson Gabriel de Brito Limeira: filho de Wanderlan, responsável pela parte técnica das fraudes e contato direto nas comunicações interceptadas.
Segundo a PF, a quadrilha tinha acesso prévio às provas e repassava aos candidatos imagens dos exames, gabaritos e até o tema da redação horas antes da aplicação. O grupo também utilizava dublês, escutas eletrônicas e contava com apoio de médicos cúmplices para justificar ausências ou manipular situações em benefício dos fraudadores. A semelhança entre os gabaritos dos membros da família reforçou as suspeitas.
Além da família Limeira, outras pessoas são investigadas, incluindo um policial militar, um dono de clínica, suspeito de atuar na lavagem do dinheiro obtido ilegalmente e um conhecido especialista em fraudes, já envolvido em mais de 67 concursos públicos.
Os investigados devem responder por crimes como: fraude em certame de interesse público, participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsificação de documento público.






