O frio já chegou, mas o inverno começou oficialmente às 5h24 deste domingo (21) e termina no dia 22 de setembro. Este ano, a estação será influenciada pelo fenômeno El Niño, que já está em formação e pode provocar mudanças importantes no clima da Paraíba e de todo o Nordeste. A confirmação do fenômeno foi feita pela Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que prevê sua permanência até o início de 2027.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aumento da temperatura altera a circulação atmosférica e interfere nos regimes de chuva e temperatura em várias regiões do planeta.
Para a Paraíba, os principais efeitos esperados são temperaturas acima da média e uma possível redução das chuvas, especialmente entre o final deste ano e os primeiros meses de 2027, período considerado fundamental para a recarga dos reservatórios e para a agricultura no semiárido. Especialistas alertam que o fenômeno costuma favorecer condições mais secas em parte do Nordeste brasileiro.
Segundo o cientista Humberto Barbosa, coordenador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), os impactos do El Niño na região dependem também das condições do Oceano Atlântico. Quando as águas do Atlântico permanecem mais aquecidas, elas ajudam a transportar umidade para o Nordeste, reduzindo parte dos efeitos negativos provocados pelo Pacífico.
Por isso, os especialistas destacam que ainda é cedo para prever com precisão a intensidade dos impactos na Paraíba. A definição sobre a força do fenômeno deve ocorrer entre julho e agosto, quando haverá mais dados disponíveis para análise.
Mesmo assim, meteorologistas já apontam que o segundo semestre poderá ser marcado por temperaturas mais elevadas. No Sertão paraibano, o calor intenso pode acelerar a perda de umidade do solo, aumentar a evaporação da água armazenada em açudes e dificultar as condições para a agropecuária.
Outra preocupação é a chamada “seca relâmpago”, situação em que o solo perde umidade rapidamente devido à combinação entre calor excessivo e redução das chuvas. Esse cenário pode afetar a produção agrícola, a vegetação e o abastecimento hídrico em algumas regiões do estado.
Apesar dos alertas, os especialistas ressaltam que o atual aquecimento do Atlântico tem contribuído para amenizar os efeitos do El Niño no Nordeste. Por isso, o monitoramento dos dois oceanos será fundamental nos próximos meses para definir como ficará o período chuvoso de 2027 na Paraíba.
A NOAA estima que há possibilidade de o fenômeno ganhar força até o próximo verão, mas os pesquisadores reforçam que ainda não é possível afirmar qual será sua intensidade definitiva nem os impactos exatos para o estado.





