O Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou o lançamento de uma nova ferramenta de inteligência artificial que será utilizada para fortalecer a fiscalização do exercício da medicina no Brasil. A expectativa da entidade é ampliar em cerca de 30% o número de fiscalizações realizadas pelos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) nos próximos dois anos.
A tecnologia passa a integrar a Plataforma Nacional de Fiscalização, sistema que reúne informações sobre profissionais, estabelecimentos de saúde e ações de fiscalização. Segundo o CFM, o objetivo é tornar as inspeções mais rápidas, eficientes e capazes de identificar situações de risco antes que elas causem prejuízos à população.
De acordo com o presidente do Conselho Federal de Medicina, José Hiran Gallo, a inteligência artificial funcionará como uma ferramenta de apoio aos médicos fiscais, fornecendo dados e informações que auxiliem na tomada de decisões. Ele ressaltou que a tecnologia não substituirá a atuação humana, mas servirá para agilizar processos e reduzir a burocracia.
O sistema reúne informações de diversas bases de dados, incluindo registros dos Conselhos de Medicina, o Cadastro Nacional de Médicos e o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). Além disso, poderá cruzar dados públicos de outros órgãos e monitorar conteúdos divulgados na internet e nas redes sociais.
Segundo o CFM, uma das principais funções da plataforma será identificar possíveis casos de exercício ilegal da medicina, além de apontar denúncias relacionadas à precariedade de hospitais, clínicas e unidades de saúde. Quando o sistema detectar alguma irregularidade, as informações serão analisadas por equipes de fiscalização antes da adoção de qualquer medida.
Para o diretor responsável pelo projeto, Jeancarlo Cavalcante, a ferramenta representa um avanço na forma como a fiscalização é realizada. Em vez de agir apenas após denúncias, o sistema permitirá monitoramento constante e a identificação antecipada de possíveis problemas.
Na prática, isso significa que a inteligência artificial poderá encontrar sinais de irregularidades antes mesmo que uma denúncia formal seja registrada. Dessa forma, os órgãos de fiscalização poderão agir com mais rapidez para evitar riscos à saúde da população.
O CFM afirma que a tecnologia ajudará a combater a atuação de falsos médicos, melhorar a fiscalização dos serviços de saúde e aumentar a proteção dos pacientes. A entidade também informou que o uso das informações seguirá as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo a segurança e a privacidade dos dados analisados.





