Brasileira acusada de tráfico no Camboja pode pegar até 20 anos de prisão

Nesta quinta-feira (23), a brasileira Daniela Marys de Oliveira, de 35 anos, deve ser julgada no Camboja sob acusação de tráfico de drogas. Natural de Minas Gerais e moradora da Paraíba, Daniela foi presa após a polícia cambojana encontrar entorpecentes no apartamento onde vivia. A família afirma que ela é inocente e vítima de tráfico humano.

Segundo relatos da mãe, Myriam Marys, Daniela foi ao país asiático em janeiro de 2025 para trabalhar em uma vaga de telemarketing, após enviar currículos pela internet. A viagem, feita mesmo contra o desejo da família, teria sido resultado de um golpe. Meses depois, a mãe começou a receber mensagens suspeitas de supostos golpistas pedindo dinheiro para quitar uma multa trabalhista. O valor, de cerca de R$ 27 mil, foi pago. Pouco depois, Daniela ligou dizendo que havia sido presa injustamente.

De acordo com a família, as drogas encontradas teriam sido plantadas porque a brasileira se recusou a participar de um esquema de golpes virtuais. Ela chegou a pedir um teste toxicológico para comprovar que não fazia uso de drogas, mas o pedido não foi aceito, segundo a mãe.

O caso coloca em evidência o debate sobre o tráfico humano e as duras penalidades aplicadas no Camboja. A legislação do país prevê penas de 2 a 20 anos de prisão para tráfico de drogas, de 2 a 5 anos para posse e até 1 ano para consumo. Organizações internacionais, como a Anistia Internacional, afirmam que o sistema prisional cambojano é marcado por superlotação, tortura e más condições.

A brasileira está detida na prisão Provincial de Banteay Meanchey, uma unidade conhecida por operar acima da capacidade. De acordo com informações locais, o número de presos no país já ultrapassa em 200% o limite das penitenciárias. Em 2024, cerca de 75% das pessoas presas ainda aguardavam julgamento.

Em março deste ano, um jovem detento de 22 anos morreu na mesma prisão por complicações cardíacas e falta de oxigênio no cérebro. A família do rapaz denunciou que a morte estaria ligada às condições precárias do local.

A mãe de Daniela afirma que a filha divide cela com cerca de 90 mulheres e que o espaço é insalubre. Ela pede apoio das autoridades brasileiras para garantir a segurança da filha.

O Itamaraty confirmou que acompanha o caso. Em nota, informou que a Embaixada do Brasil no Camboja realiza gestões junto ao governo local e presta assistência consular conforme o protocolo para atendimento a vítimas brasileiras de tráfico internacional de pessoas. Em 2024, o Ministério das Relações Exteriores atendeu 63 casos de brasileiros nessa situação, sendo 41 no Sudeste Asiático.

O Brasil é signatário do Protocolo de Palermo, que combate o tráfico de pessoas e garante que o consentimento da vítima é inválido quando obtido por meio de engano, coação ou abuso. Por isso, mesmo que Daniela tenha aceitado o trabalho, a hipótese de ter sido enganada reforça a alegação de que ela é vítima de tráfico humano.

Compartilhe essa notícia

Você também vai gostar