O empresário Antônio Neto Ais, fundador da Braiscompany, voltou a se pronunciar publicamente na noite desta terça-feira (5). Em uma transmissão ao vivo no Instagram, ele falou pela primeira vez em cerca de três anos sobre as investigações que apuram um esquema bilionário envolvendo a empresa.
Atualmente em prisão domiciliar na Argentina, Antônio Ais afirmou que deixou o Brasil após receber ameaças de morte contra ele e familiares. Segundo o empresário, esse também foi o motivo do período em que permaneceu sem se manifestar publicamente.
Durante a live, ele negou que a Braiscompany tenha operado como pirâmide financeira ou que tenha havido fraude intencional. Antônio Ais afirmou que os contratos da empresa eram públicos e declarou que “a verdade virá à tona”.
Outro ponto abordado foi a situação financeira da empresa. De acordo com ele, os bens e recursos vinculados à Braiscompany estão atualmente bloqueados e sob custódia da Justiça, o que, segundo afirmou, impediria a devolução de valores aos clientes.
O empresário também disse que não existe impedimento judicial para realizar transmissões ao vivo, publicar nas redes sociais ou conceder declarações, mesmo após a condenação no Brasil.
Caso Braiscompany
A Braiscompany entrou no centro das investigações em fevereiro de 2023, quando foi alvo de uma operação da Polícia Federal. As apurações indicam que a empresa teria movimentado cerca de R$ 1,1 bilhão em um esquema envolvendo investimentos em ativos digitais. Segundo a investigação, os clientes entregavam recursos para gestão da companhia com expectativa de retorno financeiro.
Antônio Ais e a esposa, Fabrícia Farias, permaneceram foragidos por mais de um ano e foram localizados em fevereiro de 2024, na Argentina, durante desdobramentos da Operação Halving.
No julgamento do caso, a Justiça Federal condenou Antônio Ais a 88 anos e 7 meses de prisão. Fabrícia Farias recebeu pena de 61 anos e 11 meses por crimes contra o sistema financeiro.
A Justiça argentina autorizou a extradição do casal para o Brasil. A defesa, porém, recorreu da decisão e, até agora, não há data definida para o retorno dos dois ao país.
Em fevereiro deste ano, a Justiça da Paraíba também decretou a falência da Braiscompany. O processo continua em andamento e tramita sob segredo de justiça.






