A situação registrada no Açude Velho, em Campina Grande, acende um alerta do ponto de vista médico. O mau cheiro intenso e a água em processo de decomposição indicam um ambiente que pode oferecer riscos à saúde, principalmente para quem circula ou pratica atividades físicas no entorno do reservatório.
Segundo o otorrinolaringologista Gean Babichak, o primeiro perigo está relacionado à liberação de gases e substâncias químicas, como amônia e compostos de enxofre. Esses elementos são responsáveis pelo odor forte e podem causar irritação nos olhos, no nariz e nas vias respiratórias. A exposição frequente pode provocar lesões na mucosa e, em situações mais prolongadas, comprometer o sentido do olfato, com possíveis impactos neurológicos.
Outro ponto de atenção é o risco biológico. A decomposição da matéria orgânica favorece a presença de bactérias que podem ser lançadas no ar. A inalação desses micro-organismos representa maior ameaça para pessoas com problemas respiratórios, como asma e bronquite, que podem apresentar agravamento do quadro clínico. Por isso, a orientação médica é evitar a permanência prolongada no local.
Além dos efeitos físicos, o médico chama atenção para as consequências psíquicas provocadas pelo mau cheiro. O desconforto olfativo funciona como um sinal de perigo para o organismo e pode desencadear sintomas como náuseas, enjoo, irritação, estresse e mal-estar geral, caracterizando um quadro psicossomático.
Diante desse cenário, a recomendação é que a população suspenda temporariamente a prática de atividades físicas e recreativas no Açude Velho até que a situação seja normalizada. Para os profissionais de saúde, o problema reforça que a degradação ambiental também é uma questão de saúde pública, com reflexos diretos no bem-estar da população.






