Neste final de semana, a mudança na coloração da água, o mau cheiro e a mortandade de peixes no açude velho, em campina grande, chamaram a atenção de moradores e ganharam repercussão nas redes sociais. Cinco toneladas de peixes foram retiradas do reservatório, evidenciando o agravamento de um problema ambiental recorrente em períodos de calor intenso e baixo volume de água.
Diante do cenário, a Rede Ita reuniu informações para ajudar o leitor a entender o que está acontecendo no principal cartão-postal da cidade.
De acordo com a engenheira agrícola Sohad Arruda, a situação está associada à eutrofização, fenômeno causado pelo excesso de nutrientes na água, como nitrogênio e fósforo. Esses elementos favorecem a proliferação de algas e micro-organismos que, ao se decompor, consomem grande parte do oxigênio disponível. Ainda segundo Sohad, o baixo volume do açude, o assoreamento e a entrada de esgoto pelas galerias de águas pluviais intensificam a falta de oxigênio e agravam a mortandade de peixes. Como medida emergencial, a engenheira defende o uso de aeradores em pontos críticos, enquanto a chegada das chuvas pode ajudar a reduzir os impactos.
O problema não se limita aos impactos ambientais e representa também uma ameaça direta à saúde pública. Segundo o otorrinolaringologista Gean Babichak, a decomposição da matéria orgânica libera substâncias como enxofre e amônia, capazes de irritar olhos e vias respiratórias e, em casos repetidos, prejudicar o olfato. Ele alerta ainda para o risco biológico, já que bactérias presentes nesse processo podem agravar quadros respiratórios, além dos efeitos psíquicos provocados pelo mau cheiro, como náuseas, vômitos e aumento do estresse.
Para a engenheira ambiental e sanitarista Amanda Torquato, a reversão do quadro no açude velho depende de medidas permanentes e bem planejadas. Entre as ações necessárias estão o controle da entrada de efluentes irregulares, o monitoramento constante da qualidade da água e a implantação de sistemas de aeração, fundamentais para elevar os níveis de oxigênio e restabelecer condições adequadas para a vida aquática.
A situação enfrentada atualmente no açude velho não é recente e reflete uma demanda antiga da população. Há anos, moradores, comerciantes e frequentadores da orla cobram soluções efetivas para os problemas recorrentes de mau cheiro, água escura e mortandade de peixes. Mesmo com alertas frequentes e pedidos por manutenção contínua e ações preventivas, o cenário volta a se repetir, evidenciando a necessidade de intervenções estruturais e acompanhamento permanente para evitar novos episódios.
Enquanto isso, a prefeitura de Campina Grande afirma que existe um projeto de recuperação em fase de planejamento, com previsão de início das intervenções no primeiro semestre de 2026. No entanto, a situação atual evidencia a necessidade de manutenção permanente do açude velho para preservar não apenas o meio ambiente, mas a identidade, a saúde e a qualidade de vida da população de campina grande.






