Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão disputar o segundo turno da eleição presidencial de 2026. A votação decisiva está marcada para o dia 25, quando os eleitores brasileiros voltarão às urnas para escolher quem comandará o país pelos próximos quatro anos.
A definição do segundo turno foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste domingo (4), às 20h56, quando 96,78% das urnas haviam sido contabilizadas. Naquele momento, Flávio Bolsonaro somava 47,39% dos votos, enquanto Lula registrava 44,74%.
A disputa coloca novamente no centro da eleição presidencial a polarização entre o bolsonarismo e o petismo.
O vencedor assumirá a Presidência em 5 de janeiro de 2027. Caso Flávio Bolsonaro seja eleito, chegará ao cargo aos 45 anos e ocupará a mesma cadeira que foi de seu pai, Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022.
Se Lula vencer, aos 81 anos, conquistará o quarto mandato presidencial, tornando-se o primeiro brasileiro a ocupar a Presidência da República por quatro vezes.
Além dos dois candidatos que avançaram para a segunda etapa, a eleição teve outros nomes na disputa: Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Edmilson Dias (PCB), Hertz Dias (PSTU), Samara Martins (UP), Wilson Grassi (Democrata), Clariana Barão (DC) e Rui Costa Pimenta (PCO).
Como foi a apuração
Desde os primeiros resultados divulgados pelo TSE, Flávio Bolsonaro apareceu na liderança. Nas primeiras horas, chegou a ultrapassar a marca de 50% dos votos.
A vantagem, entretanto, foi diminuindo à medida que novas urnas eram contabilizadas. Por volta das 19h15, com 64% das seções apuradas, o candidato do PL já havia retornado para abaixo dos 50%, embora ainda mantivesse uma diferença de aproximadamente cinco milhões de votos para Lula.
Na reta final da apuração, essa distância caiu para cerca de 2,6 milhões de votos.
Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado permaneceram durante boa parte da contagem nas posições seguintes, ocupando respectivamente o terceiro, quarto e quinto lugares.
O domingo dos candidatos
Flávio Bolsonaro votou logo no início da manhã no Rio de Janeiro. Pouco depois das 8h, acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, ele esteve na Escola Municipal Barão Homem de Mello, em Vila Isabel, na Zona Norte da capital.
Depois de votar, afirmou estar preparado para assumir a Presidência e fez críticas ao uso da estrutura pública durante a disputa eleitoral.
“É um dia muito importante, onde eu espero que o brasileiro ponha fim a essa era do atraso que apostou tudo, que vale tudo. Que perdeu a linha de usar dinheiro público, a máquina pública, para tentar interferir nas eleições”, disse.
Após a votação, Flávio seguiu para Brasília. Ele acompanhou a apuração ao lado de aliados no QG de sua campanha, no Lago Sul.
Lula votou por volta das 9h10, na escola estadual João Firmino, no bairro Assunção, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.
O presidente estava acompanhado do vice, Geraldo Alckmin, de Fernando Haddad, que disputou o Governo de São Paulo, e das candidatas ao Senado Simone Tebet e Marina Silva, todos derrotados em suas respectivas disputas.
Após votar, Lula voltou a defender mudanças nos critérios para escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Não é possível continuar com a promiscuidade em que o país está. Eu, sinceramente, vamos ter que pensar, chamar juristas, pessoas do mundo do Direito, para [definir] quem vai para a Suprema Corte”, afirmou.
Lula permaneceu em São Paulo durante a apuração, acompanhado por familiares e aliados.
Quem está em cada chapa
Lula manteve para 2026 a mesma composição de chapa utilizada quatro anos antes, tendo Geraldo Alckmin (PSB) novamente como candidato a vice-presidente.
A relação entre os dois, que durante anos estiveram em lados opostos da política nacional, se consolidou durante o atual governo. Além da Vice-Presidência, Alckmin comandou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, atuando também como interlocutor do governo com o setor empresarial.
Na eleição presidencial, Lula conta com o apoio de PT, PSB, PCdoB, PV, PDT, PSOL e Rede.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro escolheu o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para compor a chapa como candidato a vice-presidente.
Gaspar já exerceu as funções de promotor de Justiça, procurador-geral de Justiça e secretário de Segurança Pública de Alagoas. Eleito deputado federal em 2022, ganhou projeção nacional ao atuar como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
A escolha do vice ocorreu depois de semanas de negociações do PL na tentativa de ampliar o apoio político à candidatura de Flávio no campo da centro-direita.
As articulações, porém, não resultaram na adesão esperada do Republicanos nem da federação formada por União Brasil e Progressistas. As legendas decidiram não integrar nenhuma das chapas presidenciais e declararam neutralidade na disputa.
Os principais temas da campanha
Na fase final do primeiro turno, Lula e Flávio Bolsonaro concentraram parte importante da agenda eleitoral no Sudeste, região que reúne os maiores colégios eleitorais do país.
A campanha também foi atravessada por temas que foram além da tradicional disputa entre partidos e grupos políticos. Entre os assuntos que ganharam espaço estiveram os conflitos envolvendo o Supremo Tribunal Federal, o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral e a discussão sobre o futuro das apostas esportivas on-line.
Outro episódio que movimentou as redes sociais envolveu Nossa Senhora Aparecida. Publicações passaram a relacionar Flávio Bolsonaro e setores da direita a uma suposta intenção de retirar da santa o título de padroeira do Brasil. O candidato negou que exista qualquer proposta nesse sentido.
O Bolsa Família também voltou ao centro do debate eleitoral. Poucos dias antes do primeiro turno, Lula anunciou um reajuste de 15% no benefício. Com a medida, o valor mínimo do programa passou de R$ 600 para R$ 691.
Agora, a campanha entra em uma nova fase. Flávio Bolsonaro e Lula terão mais três semanas para disputar os votos dos eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno e consolidar suas bases para a decisão marcada para o dia 25.





